Seis anos após anunciar planos de entrar no mercado de jogos eletrônicos, a Blumhouse Productions lança Crisol Theater of Idols, título que chegou em 10 de fevereiro de 2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series S|X. O estúdio, famoso por filmes como Corra! e Atividade Paranormal, prometia transportar seu DNA de suspense para o mundo dos games.
O resultado, porém, oscila: enquanto a mecânica de usar sangue como munição chama atenção e garante partidas estratégicas, o clima de pavor vendido nos trailers quase não aparece. A seguir, veja os principais pontos do game que já movimenta discussões entre jogadores — inclusive aqui na redação do Chasy Spos.
Enredo coloca devoto do deus Sol em guerra contra culto rival
O jogador assume o papel de Gabriel, guerreiro dedicado ao deus Sol. A missão começa na fictícia Hispania, ilha assolada por uma maldição ligada ao Culto do Mar. Sem saber exatamente por que luta, o protagonista precisa investigar o mistério, vingar sua divindade e enfrentar criaturas criadas pela força oposta.
Embora à primeira vista o roteiro pareça genérico, o avanço da história revela reviravoltas suficientes para manter a curiosidade até o final. Sequências estáticas contam boa parte dos acontecimentos, recurso que simplifica a apresentação mas pode decepcionar quem esperava animações robustas.
Mecânica de “sangue = bala” é o grande diferencial
Em Crisol Theater of Idols, não existem cartuchos espalhados pelo cenário. Cada disparo consome parte da barra de vida de Gabriel, fazendo o jogador ponderar se vale a pena atirar ou guardar energia para batalhas futuras. Essa escolha constante funciona como combustível de tensão e torna cada encontro mais tático.
Recuperar saúde exige itens específicos, como seringas ou animais abatidos. O modelo remete a shooters dos anos 1990 e 2000, onde recursos eram limitados e a exploração, recompensada. O título ainda oferece uma faca para contra-ataques, mas a arma branca tem pouca utilidade prática.
Árvore de habilidades decepciona
O sistema de progressão disponibiliza poucas melhorias e, na maior parte do tempo, elas impactam pouco a jogabilidade. Um exemplo é o perk que dá 12% de chance de recuperar munição ao atingir o alvo: na prática, a vantagem raramente altera o desfecho dos combates.
Clima de terror promete, mas não entrega
Desde o trailer de anúncio, a Blumhouse divulgou Crisol Theater of Idols como experiência de horror. Na prática, o sentimento dura apenas no primeiro capítulo, mesma porção disponibilizada na demo gratuita. Ali, a escassez de informações e a estreia da criatura Dolores produzem suspense genuíno.
Depois que Gabriel encontra aliados do deus Sol, a atmosfera muda. A partir daí, o foco recai sobre quebra-cabeças para abrir portas e coletar itens. Dolores continua a perseguir o jogador, porém é fácil notar sua aproximação: o monstro é grande, barulhento e incapaz de surpresas, reduzindo sustos a quase zero.
Pouca variedade de inimigos
Ao longo das fases, surgem basicamente quatro tipos de oponentes — estátuas possuídas (com pequenas variações), gárgulas rastejantes, bebês alados e uma entidade que se duplica. A escassez de criaturas diferentes limita a sensação de perigo e interfere na imersão.
Imagem: Internet
Exploração inspira nostalgia de clássicos FPS
Cada capítulo apresenta portas trancadas, pontes erguidas e painéis quebrados. Para avançar, o jogador precisa vasculhar mapas, memorizar caminhos e encontrar itens como alavancas ou placas de circuito. A estrutura lembra séries como Bioshock, citada repetidamente como referência pelos fãs.
Ainda que existam trechos lineares, perder-se nos corredores é possível — e parte da diversão. Essa abordagem contrasta com shooters contemporâneos que priorizam intensidade contínua de combate.
Aspectos visuais alternam acertos e repetição
Rodando no PC com placa GeForce RTX 4090, processador Intel i7-14700K e 32 GB de RAM, o jogo permite habilitar todas as configurações gráficas no máximo. Os cenários noturnos, iluminados apenas por tochas e uma lanterna, criam ambiente sombrio e bonito. Personagens e inimigos exibem bom nível de detalhe, aproximando o estilo de Bioshock Infinite.
Problemas técnicos, entretanto, surgem em áreas com efeitos de fogo, que provocam quedas notáveis de desempenho. Além disso, diversos objetos se repetem em pontos diferentes do mapa — carroças idênticas, móveis clonados e até a mesma estátua crivada de flechas. O excesso de cópia-cola quebra a ilusão de um mundo único.
Duração enxuta e quase nenhum motivo para replay
A campanha leva cerca de 8 a 10 horas na primeira jogada. Depois de dominar rotas e puzzles, é possível concluir tudo em 3 horas — inclusive existe conquista específica para isso. Fora colecionáveis simples, não há incentivo substancial para recomeçar a aventura.
Disponibilidade e requisitos
Lançado em 10 de fevereiro de 2026, Crisol Theater of Idols pode ser adquirido para PC (Steam), PlayStation 5 e Xbox Series S|X. Para computadores, a desenvolvedora recomenda processador Intel i5 de 10ª geração, 16 GB de RAM e placa de vídeo GeForce RTX 2060 ou equivalente.
Principais pontos levantados
- Mecânica de usar sangue como munição aumenta a estratégia.
- Roteiro apresenta boas surpresas, apesar da narrativa estática.
- Jogo carece de variedade de inimigos e momentos de susto.
- Campanha é curta e oferece pouco conteúdo pós-créditos.
- Visual agrada, mas repetição de elementos e quedas de frame incomodam.
Crisol Theater of Idols estreia a participação da Blumhouse no universo interativo com ideias promissoras, porém ainda distantes do terror cinematográfico que tornou o estúdio famoso. Se a intenção era inovar na jogabilidade, o objetivo foi alcançado; já o fator medo, tão anunciado, permanece como dívida para projetos futuros.
