O primeiro clique em um k-drama quase nunca é o último. Entre romances que avançam lentamente e cenas de comida de dar água na boca, as séries asiáticas têm fisgado o público brasileiro de forma surpreendente.
À medida que mais episódios entram na lista de “assistidos”, novos costumes surgem: ouvir k-pop, preparar pratos coreanos ou até mudar o estilo de maquiagem viram parte da rotina. A influência é tanta que já há bares onde a TV exibe doramas enquanto clientes pedem soju.
Doramas conquistam público brasileiro
Com o avanço das plataformas de streaming nos últimos anos, títulos sul-coreanos deixaram de ser nicho para atingir audiência ampla no Brasil. Produções como Jardim de Meteoros, disponível na Netflix, aparecem com destaque nas recomendações algorítmicas e funcionam como porta de entrada para quem ainda não conhecia o universo dramático do Oriente.
Especialistas em mercado audiovisual apontam que o consumo facilitado – graças a legendas e dublagens em português – remove barreiras linguísticas. Segundo Luis Cho, CEO da agência CoHub, a música coreana pavimentou o caminho: “O boom do k-pop despertou curiosidade sobre toda a cultura. Os seriados vieram na sequência e consolidaram a chamada Hallyu, a onda coreana”.
Experiência que ultrapassa a tela
Aline Almeida, fã de doramas há 13 anos, conta que a curiosidade pelo Japão a levou a explorar produções asiáticas. “Logo passei a ouvir k-pop e a testar pratos coreanos que apareciam nas séries”, relata. Entre os favoritos estão kimchi, bibimbap, tteokbokki e o famoso churrasco coreano.
O interesse se estendeu à literatura. Aline incluiu autores asiáticos em sua lista de leitura e cita Kim Jiyoung, Nascida em 1982 como obra marcante por ampliar sua visão sobre gênero e sociedade. Para ela, cada drama gera uma nova pesquisa: “Termino o episódio e já procuro a tradução de uma música ou a receita que os personagens comeram”.
Música, literatura e gastronomia
Lives de k-pop, playlists temáticas e clubes de leitura viraram parte da rotina de muitos espectadores. Restaurantes especializados em culinária coreana registram aumento de clientes que chegam munidos de referências televisivas. “Quero o mesmo tteokbokki que vi em Pousando no Amor”, pedem, segundo donos de casas na Liberdade, em São Paulo.
Emoções e estética que prendem o espectador
Keila Bueno, que abandonou o primeiro drama, se rendeu após assistir Jardim de Meteoros. “O romance se constrói devagar, com muitas cenas fofas. Fiquei presa sem perceber”, diz. A partir daí, a skincare coreana entrou no carrinho de compras, junto de acessórios delicados vistos em cena.
Imagem: novidades e co
Para Keila, o ritmo narrativo é o grande diferencial: “As produções não correm com a história; deixa o público torcer pelo casal”. Esse formato gera engajamento prolongado e conversa constante nas redes, um prato cheio para o algoritmo das plataformas de vídeo.
A estratégia por trás da onda coreana
O governo sul-coreano investe em cinema, música e TV desde o fim dos anos 1990 para fortalecer a imagem do país. Esse projeto de soft power ganhou velocidade com o streaming global. “Hoje, empresas como Netflix e Disney+ entram com marketing pesado, legendas de lançamento e parcerias locais, o que amplia o alcance dos doramas”, explica Cho.
Dados de audiência mostram que o interesse cresce em espiral: quem termina uma série costuma iniciar pelo menos outra do mesmo país dentro de 30 dias. Para o site Chasy Spos, essa cadeia de consumo cria um ecossistema que movimenta não só o setor audiovisual, mas também moda, turismo e gastronomia.
Em 2024, bares temáticos começaram a surgir em capitais brasileiras, reproduzindo ambientes vistos nos seriados e servindo soju misturado com cerveja, prática popular nos roteiros. A tendência indica que, para muitos fãs, o último episódio é apenas o começo de uma nova imersão cultural.
